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Imortal Tricolor: de onde vem o apelido do Grêmio? As três versões da história

O goleiro Eurico Lara e o hino de 1953, a Batalha dos Aflitos e a Libertadores de 2007 disputam a origem do nome; nenhuma é definitiva

Torcedora com camisa do Grêmio debruçada no parapeito observa as arquibancadas lotadas do Estádio Olímpico Monumental, em foto em tons sépia
Torcida gremista no Estádio Olímpico em março de 2008, em jogo contra o Sapucaiense (foto de arquivo). Foto: Eneas De Troya / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · fonte

Não existe uma origem única e documentada para o apelido Imortal Tricolor, usado por torcedores e pela imprensa para falar do Grêmio. As fontes consultadas apontam três caminhos: o goleiro Eurico Lara, citado no hino de 1953; a Batalha dos Aflitos, em 2005; e a campanha da Libertadores de 2007.

Nenhuma delas traz um registro datado do primeiro uso do termo. Por isso, este explicador apresenta as três versões, quem as defende e o que se sabe com segurança. No fim, a origem do Tricolor e os outros apelidos do clube.

As três versões, em resumo

VersãoÉpocaQuem a registra
O goleiro Eurico Lara e o hino1935 a 1953Trivela (2017) e a defesa da Ambev num processo judicial
A Batalha dos Aflitos2005Jovem Pan (2026)
A Libertadores de 20072007Wikipédia em inglês

Versão 1: Eurico Lara, o goleiro citado no hino

Foto histórica do goleiro Eurico Lara, ídolo do Grêmio
Eurico Lara, goleiro do Grêmio de 1920 a 1935, em foto da década de 1920. Foto: Autor desconhecido / Wikimedia Commons · Domínio público · fonte

Eurico Lara nasceu em Uruguaiana e defendeu o gol do Grêmio de 1920 a 1935, segundo o site oficial. Foi campeão gaúcho em 1921, 1922, 1926, 1931 e 1932. A Trivela o descreve como o maior craque que o clube tinha tido até então.

A história mais forte de Lara é a do fim. Doente do coração, ele jogou a final do Campeonato Farroupilha de 1935 contra o Inter, em setembro. Segundo a Trivela, segurou o 0 a 0 no primeiro tempo e saiu no intervalo com dores no peito. O Grêmio venceu por 2 a 0. Lara morreu em 6 de novembro de 1935, e o enterro reuniu mais de 30 mil pessoas, de acordo com a mesma reportagem.

Em 1953, Lupicínio Rodrigues compôs o hino do clube e incluiu Lara na letra. Ele é o único jogador citado no hino. A Trivela observa que o hino se refere ao goleiro como imortal, o que ajuda a explicar a força dessa versão.

Versão 2: a Batalha dos Aflitos (2005)

A segunda versão é bem mais recente. Segundo a Jovem Pan, em texto de fevereiro de 2026, o apelido ganhou força depois da Batalha dos Aflitos. Em 26 de novembro de 2005, o Grêmio venceu o Náutico por 1 a 0, em Recife, com sete jogadores em campo, e conquistou a Série B.

Na leitura da Jovem Pan, a vitória com sete jogadores mostrou um Grêmio que não se rende, e daí viria a ideia de imortalidade. A história completa da partida está em Batalha dos Aflitos: o jogo em que o Grêmio venceu com sete.

Versão 3: a Libertadores de 2007

A Wikipédia em inglês dá outra explicação. Segundo a enciclopédia, a campanha da Libertadores de 2007, quando o time compensava em Porto Alegre as derrotas sofridas fora de casa, rendeu ao Grêmio o rótulo de Imortal Tricolor.

O time de Mano Menezes chegou à final, mas perdeu para o Boca Juniors: 3 a 0 na Bombonera, em 13 de junho de 2007, e 2 a 0 no Olímpico, em 20 de junho, com dois gols de Riquelme.

Afinal, qual versão está certa?

Nenhuma pode ser cravada com as fontes disponíveis. A pesquisa do Imortal Hoje não encontrou documento do clube, jornal de época ou estudo que date o primeiro uso de Imortal como apelido do Grêmio.

O que dá para dizer é que as versões não se excluem. A ideia de imortalidade aparece no hino desde 1953, ligada a Lara. Já a Batalha dos Aflitos e a Libertadores de 2007 são apontadas como momentos em que o apelido se espalhou. A própria Wikipédia em inglês e a Jovem Pan, porém, contam histórias diferentes.

E o Tricolor, de onde vem?

Essa parte é mais simples: vem das três cores do clube, azul, preto e branco. A história do uniforme, porém, tem uma curiosidade.

O primeiro uniforme tinha camisa listrada em azul e havana, um tom de marrom. Como era difícil achar tecido havana em Porto Alegre, a cor foi trocada pelo preto, segundo o Lance! e a Wikipédia. A versão em português da enciclopédia registra que, em 20 de julho de 1904, a camisa passou a ser metade azul e metade preta.

O branco entrou depois, em várias combinações. O modelo definitivo, com listras verticais azuis, pretas e brancas, surgiu em 1928.

Outros apelidos e símbolos do Grêmio

Além de Imortal Tricolor, o clube tem outros nomes e marcas conhecidos:

  • Tricolor dos Pampas: referência ao Rio Grande do Sul, registrada pela Wikipédia.
  • Rei de Copas: a Wikipédia em inglês liga o apelido ao título da Copa do Brasil de 2016. O Grêmio tem cinco Copas do Brasil, como mostra a página de títulos do Grêmio.
  • Clube de Todos: lema usado pelo clube em ações contra o preconceito e a intolerância.
  • Mosqueteiro: o mascote foi criado em 1946 pelo chargista Pompeu, do jornal Folha da Tarde. Segundo o clube, a primeira aparição foi como um boneco inspirado no diretor Francisco Maineri.
  • Flecha Negra: segundo mascote, escolhido em concurso em 2023, em homenagem a Tarciso, o jogador com mais partidas pelo clube.

O lema de 1946 e o hino de Lupicínio

Retrato em preto e branco do compositor Lupicínio Rodrigues sorrindo, em 1968
Lupicínio Rodrigues, que compôs o hino do Grêmio em 1953, em retrato de 1968. Foto: Autor desconhecido / Arquivo Nacional (Fundo Correio da Manhã) / Wikimedia Commons · Domínio público · fonte

Em 1946, a torcida ganhou uma faixa criada por Salim Nigri com o lema «Com o Grêmio, onde estiver o Grêmio». A frase virou marca do clube e, segundo o site oficial, inspirou Lupicínio Rodrigues na composição do hino.

O hino atual, com letra e música de Lupicínio, foi composto em 1953 como marcha para o cinquentenário do clube. O site oficial diz que ele nasceu num bar da Praça Garibaldi; o Sul21 situa a composição no Restaurante Copacabana, na Cidade Baixa. Antes dele houve dois hinos: o de Isolino Leal, de 1924, e o de Breno Blauth, de 1949, vencedor de um concurso.

O compositor ganhou um busto de bronze na esplanada da Arena em 20 de setembro de 2022. E o lema segue vivo: uma versão da frase aparece na parte interna da terceira camisa de 2026, lançada em agosto. A história completa está na página do hino do Grêmio, e outras histórias do clube estão na seção de curiosidades.

Perguntas frequentes

Por que o Grêmio é chamado de Imortal?

Não há origem única confirmada. As versões mais citadas ligam o apelido ao goleiro Eurico Lara, citado no hino de 1953, à Batalha dos Aflitos, em 2005, e à campanha da Libertadores de 2007.

Por que o Grêmio é chamado de Tricolor?

Por causa das três cores do uniforme: azul, preto e branco. O modelo com listras verticais nas três cores foi adotado em 1928.

Quem compôs o hino do Grêmio?

Lupicínio Rodrigues, que fez letra e música em 1953, como marcha para o cinquentenário do clube.

Qual é o lema do Grêmio?

«Com o Grêmio, onde estiver o Grêmio», frase de uma faixa criada por Salim Nigri em 1946 que depois inspirou o hino.

Fontes e referências

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