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Arena do Grêmio: o clube já administra o estádio, mas o que falta para virar dono?

Gestão própria desde novembro de 2025 mudou receitas e estatuto, mas a troca de chaves com Karagounis e OAS 26 segue pendente, e o prazo corre até 2033

Fachada da Arena do Grêmio com o letreiro 'Arena do Grêmio' e a estrutura azul e branca sob céu azul, com estacionamento em primeiro plano
Fachada da Arena do Grêmio, em foto de 2014. Foto: dearaujors (Flickr) / Wikimedia Commons · CC BY 2.0 · fonte

O Grêmio administra a Arena desde 1º de novembro de 2025: coordena jogos e eventos, cuida dos contratos de fornecedores e fica com as receitas do complexo. Mas o clube ainda não é o dono definitivo do estádio. Falta a chamada troca de chaves com a Karagounis e a OAS 26, que recebem o terreno do Olímpico, e ela já foi adiada pelo menos três vezes.

Linha do tempo: da dívida à gestão própria

DataO que aconteceu
08/12/2012A Arena é inaugurada
Fev/2013O Olímpico é desativado
Out/2024O Grêmio compra do Banrisul um terço da dívida da gestora
Jul/2025Marcelo Marques compra a gestão por R$ 130 milhões
29/09/2025A entrega é antecipada de janeiro de 2026 para 1º/11/2025
16/10/2025A transferência é oficializada em cerimônia na Arena
27/10/2025O Conselho aprova o novo contrato e muda o estatuto
01/11/2025O Grêmio assume a operação do estádio
13/11/2025A troca de chaves é empurrada para o 1º semestre de 2026
29/07/2026O JC informa que o acordo seria selado na semana seguinte
25/08/2026Sessão extraordinária do Conselho ouve o andamento das conversas
23/09/2026A troca de chaves segue sem conclusão

Como o Grêmio chegou à gestão da Arena

O nó era a dívida da construção do estádio, que estava nas mãos de credores. O primeiro passo veio em outubro de 2024: o Grêmio comprou do Banrisul um terço do crédito bancário contra a gestora do estádio. Valor e deságio ficaram em sigilo por cláusula de confidencialidade. A negociação ficou a cargo do departamento jurídico do clube, e o vice Eduardo Magrisso foi o porta-voz da operação.

Em julho de 2025, o empresário Marcelo Marques, do Grupo Marquespan, pagou R$ 130 milhões pela gestão: R$ 80 milhões pelos créditos da Revee, que tinha os outros dois terços da dívida, e R$ 50 milhões à Arena Porto-Alegrense. Ele se comprometeu a repassar tudo ao clube sem custo. O Poder360 e o SouGremio falam em aporte de R$ 145 milhões; o JC e a Wikipédia, em R$ 130 milhões.

Segundo Magrisso, a gestora tinha R$ 130 milhões a receber, corrigidos a 1,5% ao mês, e o Grêmio pagava todo mês uma cessão onerosa para garantir a entrada dos sócios nos jogos. Pela Wikipédia, o novo arranjo acaba com um pagamento anual de R$ 20,5 milhões à antiga gestora.

O que mudou no estatuto

Em 27/10/2025, o Conselho Deliberativo aprovou por aclamação, com 299 conselheiros presentes, o novo contrato e uma reforma do estatuto. A Arena passou a ter CNPJ, orçamento e contas bancárias próprios, além de uma gerência executiva dedicada.

O ponto central é a blindagem. O estádio foi declarado impenhorável e inalienável, e o novo artigo 109-A proíbe que ele seja dado como garantia de empréstimos. O Conselho também criou uma comissão permanente para assuntos da Arena e pôs as contas do estádio sob a fiscalização do Conselho Fiscal.

Em 1º de novembro, dois meses antes do previsto, o clube assumiu a operação e absorveu os funcionários do dia a dia. No balanço de 2025, a mudança apareceu como doações de R$ 135 milhões e um direito de superfície de R$ 363,3 milhões no ativo, que teve perda de R$ 157,5 milhões no teste de impairment e será amortizado até dezembro de 2033. Esses lançamentos ajudam a explicar o superávit contábil do ano, como mostramos no explicador sobre as finanças do Grêmio.

O que é a troca de chaves e por que ela trava

A troca de chaves é a permuta prevista desde a mudança para a Arena: o Grêmio entrega o terreno do Olímpico, e a escritura de permuta é o passo que falta para o clube ter a propriedade definitiva do novo estádio. Pelo desenho noticiado em outubro de 2025, metade da área do Olímpico iria para a Karagounis, e a área da Arena ficaria em copropriedade com a OAS 26 até uma decisão judicial final.

A demolição do Olímpico cabe à empresa (Metha/OAS 26), não ao clube. Em novembro de 2025, Magrisso disse ao JC que a OAS 26 também responde pelas obras no entorno da Arena. Ele descreveu a Karagounis, financiada com recursos do FGTS, como pouco capitalizada.

As previsões falharam em série. Em 31/10/2025, Magrisso falava em troca em novembro; duas semanas depois, no 1º semestre de 2026. Em julho de 2026, o JC informou que o acordo seria selado na semana seguinte, e em agosto o Conselho foi convocado para uma sessão sobre o andamento das negociações. Em 23/09, o A Tarde, citando o ge, relatou que OAS 26 e Karagounis não responderam até o prazo do fim de julho. A disputa central agora são as obras de infraestrutura do entorno.

Há ainda brigas judiciais paralelas. Uma decisão atribuiu só ao Grêmio a dívida de IPTU do Olímpico. Outra disse que as obras do entorno não cabem nem ao clube nem à OAS 26, que alega ter licenças bloqueadas pela prefeitura e pelo Ministério Público.

Quanto custa destravar a troca de chaves

Segundo o jornalista Jocimar Farina, em informações publicadas pelo SouGremio em 09/06, destravar a troca exige três desembolsos:

  • até R$ 30 milhões para demolir o Olímpico;
  • R$ 65 milhões em obras exigidas pela prefeitura, como o prolongamento da Avenida A. J. Renner e a duplicação da Avenida Padre Leopoldo Brentano;
  • cerca de R$ 17 milhões de ITBI, imposto ligado à transferência de parte do terreno da Arena.

Somadas, as três parcelas chegam a cerca de R$ 112 milhões. A mesma reportagem, porém, fala em desembolso necessário de aproximadamente R$ 101 milhões, sem explicar a diferença. À parte, há uma cobrança de IPTU do Olímpico de cerca de R$ 6,6 milhões, referente a 2025. O texto também diz que o clube articula uma ação arbitral para obrigar a OAS 26 a transferir sua parte na Arena, o que não foi confirmado em fonte oficial.

O prazo de 2033 e o risco de 2034

O contrato dá ao Grêmio o direito de gerir a Arena até dezembro de 2033. Se a troca de chaves não sair até lá, a gestão pode voltar em 2034 às proprietárias, Karagounis e OAS 26. Segundo o SouGremio, se até lá o clube tiver resolvido só a parte da Karagounis, terá de dividir receitas, despesas e decisões da Arena com a OAS 26.

O A Tarde, que também cita 2034 como data-limite, lembra que a Arena custou R$ 469 milhões. Ou seja: o clube tem pouco mais de sete anos para fechar uma pendência que existe desde a mudança de estádio.

E o Olímpico?

O Olímpico Monumental, na Azenha, ocupa cerca de 12 hectares e está desativado desde fevereiro de 2013. Sem demolição, segue abandonado: em 2025, o Lance! descreveu arquibancadas tomadas pelo mato e trechos de concreto em ruínas.

Fachada azul e branca do Estádio Olímpico Monumental abandonado, com janelas quebradas, refletores e terreno de chão batido, vista através de uma grade
O Estádio Olímpico Monumental abandonado, em junho de 2019, seis anos depois de ser desativado. Foto: Gustaavo Aguirree / Wikimedia Commons · CC BY-SA 4.0 · fonte

O estádio só voltou a ser usado em 2024, por pouco tempo, como ponto de coleta de doações durante as enchentes. A prefeitura chegou a mencionar a hipótese de desapropriação, e não há destino oficial para a área. A trajetória do velho estádio está na página de história do Grêmio.

O que muda para o torcedor

  • Mais dinheiro no caixa do clube. A bilheteria de eventos passou a contar como receita do Grêmio, e o clube deixou de pagar a cessão pelos lugares dos sócios. O JC estimou ganho de cerca de R$ 50 milhões por ano; a Wikipédia fala em R$ 50 milhões a R$ 100 milhões. Segundo o BNLData, a Arena gerou cerca de R$ 50 milhões no 1º semestre de 2026.
  • Estádio blindado. Por ser impenhorável e inalienável, a Arena não pode ser tomada por credores nem usada como garantia, mesmo com a dívida alta do clube.
  • Decisões dentro de casa. Jogos, eventos e fornecedores passam pela administração do Grêmio. Marques citou como melhorias do período de transição a ampliação da arquibancada Norte, o gramado e a iluminação.
  • Casa cheia. Em 03/09/2026, no 3 a 1 sobre o Inter pela Copa do Brasil, a Arena teve o maior público da sua história: 55.689 pessoas segundo o JC, ou 55.695, com 55.376 pagantes, segundo a Wikipédia. No Gre-Nal 455, no domingo (11/10), foram 53.528 pessoas, segundo a Futebol Interior.
  • O que ainda não muda. Sem a troca de chaves, o clube não tem a propriedade definitiva, e o risco de 2034 segue no horizonte. Em julho, segundo o BNLData, o clube negociava o naming rights do estádio, possivelmente num pacote com o patrocínio máster; as fontes consultadas não registram acordo.

Quer saber mais sobre o estádio? Veja o guia da Arena do Grêmio, leia as 15 curiosidades sobre a Arena e confira os próximos jogos do Tricolor em casa.

Perguntas frequentes

O Grêmio é dono da Arena?

Ainda não de forma definitiva. O clube administra o estádio desde 1º/11/2025, mas a propriedade depende da troca de chaves com a Karagounis e a OAS 26.

Até quando o Grêmio pode administrar a Arena?

O direito de gestão vai até dezembro de 2033. Sem a troca de chaves, a gestão pode voltar às proprietárias a partir de 2034.

Quanto Marcelo Marques pagou pela gestão da Arena?

R$ 130 milhões, segundo o Jornal do Comércio e a Wikipédia: R$ 80 milhões pelos créditos da Revee e R$ 50 milhões à Arena Porto-Alegrense. Poder360 e SouGremio falam em R$ 145 milhões.

O que vai acontecer com o Estádio Olímpico?

Não há destino oficial. O estádio está desativado desde fevereiro de 2013, e a demolição, que cabe à empresa parceira, não começou.

Fontes e referências

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