Arena do Grêmio: o clube já administra o estádio, mas o que falta para virar dono?
Gestão própria desde novembro de 2025 mudou receitas e estatuto, mas a troca de chaves com Karagounis e OAS 26 segue pendente, e o prazo corre até 2033

O Grêmio administra a Arena desde 1º de novembro de 2025: coordena jogos e eventos, cuida dos contratos de fornecedores e fica com as receitas do complexo. Mas o clube ainda não é o dono definitivo do estádio. Falta a chamada troca de chaves com a Karagounis e a OAS 26, que recebem o terreno do Olímpico, e ela já foi adiada pelo menos três vezes.
Linha do tempo: da dívida à gestão própria
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| 08/12/2012 | A Arena é inaugurada |
| Fev/2013 | O Olímpico é desativado |
| Out/2024 | O Grêmio compra do Banrisul um terço da dívida da gestora |
| Jul/2025 | Marcelo Marques compra a gestão por R$ 130 milhões |
| 29/09/2025 | A entrega é antecipada de janeiro de 2026 para 1º/11/2025 |
| 16/10/2025 | A transferência é oficializada em cerimônia na Arena |
| 27/10/2025 | O Conselho aprova o novo contrato e muda o estatuto |
| 01/11/2025 | O Grêmio assume a operação do estádio |
| 13/11/2025 | A troca de chaves é empurrada para o 1º semestre de 2026 |
| 29/07/2026 | O JC informa que o acordo seria selado na semana seguinte |
| 25/08/2026 | Sessão extraordinária do Conselho ouve o andamento das conversas |
| 23/09/2026 | A troca de chaves segue sem conclusão |
Como o Grêmio chegou à gestão da Arena
O nó era a dívida da construção do estádio, que estava nas mãos de credores. O primeiro passo veio em outubro de 2024: o Grêmio comprou do Banrisul um terço do crédito bancário contra a gestora do estádio. Valor e deságio ficaram em sigilo por cláusula de confidencialidade. A negociação ficou a cargo do departamento jurídico do clube, e o vice Eduardo Magrisso foi o porta-voz da operação.
Em julho de 2025, o empresário Marcelo Marques, do Grupo Marquespan, pagou R$ 130 milhões pela gestão: R$ 80 milhões pelos créditos da Revee, que tinha os outros dois terços da dívida, e R$ 50 milhões à Arena Porto-Alegrense. Ele se comprometeu a repassar tudo ao clube sem custo. O Poder360 e o SouGremio falam em aporte de R$ 145 milhões; o JC e a Wikipédia, em R$ 130 milhões.
Segundo Magrisso, a gestora tinha R$ 130 milhões a receber, corrigidos a 1,5% ao mês, e o Grêmio pagava todo mês uma cessão onerosa para garantir a entrada dos sócios nos jogos. Pela Wikipédia, o novo arranjo acaba com um pagamento anual de R$ 20,5 milhões à antiga gestora.
O que mudou no estatuto
Em 27/10/2025, o Conselho Deliberativo aprovou por aclamação, com 299 conselheiros presentes, o novo contrato e uma reforma do estatuto. A Arena passou a ter CNPJ, orçamento e contas bancárias próprios, além de uma gerência executiva dedicada.
O ponto central é a blindagem. O estádio foi declarado impenhorável e inalienável, e o novo artigo 109-A proíbe que ele seja dado como garantia de empréstimos. O Conselho também criou uma comissão permanente para assuntos da Arena e pôs as contas do estádio sob a fiscalização do Conselho Fiscal.
Em 1º de novembro, dois meses antes do previsto, o clube assumiu a operação e absorveu os funcionários do dia a dia. No balanço de 2025, a mudança apareceu como doações de R$ 135 milhões e um direito de superfície de R$ 363,3 milhões no ativo, que teve perda de R$ 157,5 milhões no teste de impairment e será amortizado até dezembro de 2033. Esses lançamentos ajudam a explicar o superávit contábil do ano, como mostramos no explicador sobre as finanças do Grêmio.
O que é a troca de chaves e por que ela trava
A troca de chaves é a permuta prevista desde a mudança para a Arena: o Grêmio entrega o terreno do Olímpico, e a escritura de permuta é o passo que falta para o clube ter a propriedade definitiva do novo estádio. Pelo desenho noticiado em outubro de 2025, metade da área do Olímpico iria para a Karagounis, e a área da Arena ficaria em copropriedade com a OAS 26 até uma decisão judicial final.
A demolição do Olímpico cabe à empresa (Metha/OAS 26), não ao clube. Em novembro de 2025, Magrisso disse ao JC que a OAS 26 também responde pelas obras no entorno da Arena. Ele descreveu a Karagounis, financiada com recursos do FGTS, como pouco capitalizada.
As previsões falharam em série. Em 31/10/2025, Magrisso falava em troca em novembro; duas semanas depois, no 1º semestre de 2026. Em julho de 2026, o JC informou que o acordo seria selado na semana seguinte, e em agosto o Conselho foi convocado para uma sessão sobre o andamento das negociações. Em 23/09, o A Tarde, citando o ge, relatou que OAS 26 e Karagounis não responderam até o prazo do fim de julho. A disputa central agora são as obras de infraestrutura do entorno.
Há ainda brigas judiciais paralelas. Uma decisão atribuiu só ao Grêmio a dívida de IPTU do Olímpico. Outra disse que as obras do entorno não cabem nem ao clube nem à OAS 26, que alega ter licenças bloqueadas pela prefeitura e pelo Ministério Público.
Quanto custa destravar a troca de chaves
Segundo o jornalista Jocimar Farina, em informações publicadas pelo SouGremio em 09/06, destravar a troca exige três desembolsos:
- até R$ 30 milhões para demolir o Olímpico;
- R$ 65 milhões em obras exigidas pela prefeitura, como o prolongamento da Avenida A. J. Renner e a duplicação da Avenida Padre Leopoldo Brentano;
- cerca de R$ 17 milhões de ITBI, imposto ligado à transferência de parte do terreno da Arena.
Somadas, as três parcelas chegam a cerca de R$ 112 milhões. A mesma reportagem, porém, fala em desembolso necessário de aproximadamente R$ 101 milhões, sem explicar a diferença. À parte, há uma cobrança de IPTU do Olímpico de cerca de R$ 6,6 milhões, referente a 2025. O texto também diz que o clube articula uma ação arbitral para obrigar a OAS 26 a transferir sua parte na Arena, o que não foi confirmado em fonte oficial.
O prazo de 2033 e o risco de 2034
O contrato dá ao Grêmio o direito de gerir a Arena até dezembro de 2033. Se a troca de chaves não sair até lá, a gestão pode voltar em 2034 às proprietárias, Karagounis e OAS 26. Segundo o SouGremio, se até lá o clube tiver resolvido só a parte da Karagounis, terá de dividir receitas, despesas e decisões da Arena com a OAS 26.
O A Tarde, que também cita 2034 como data-limite, lembra que a Arena custou R$ 469 milhões. Ou seja: o clube tem pouco mais de sete anos para fechar uma pendência que existe desde a mudança de estádio.
E o Olímpico?
O Olímpico Monumental, na Azenha, ocupa cerca de 12 hectares e está desativado desde fevereiro de 2013. Sem demolição, segue abandonado: em 2025, o Lance! descreveu arquibancadas tomadas pelo mato e trechos de concreto em ruínas.

O estádio só voltou a ser usado em 2024, por pouco tempo, como ponto de coleta de doações durante as enchentes. A prefeitura chegou a mencionar a hipótese de desapropriação, e não há destino oficial para a área. A trajetória do velho estádio está na página de história do Grêmio.
O que muda para o torcedor
- Mais dinheiro no caixa do clube. A bilheteria de eventos passou a contar como receita do Grêmio, e o clube deixou de pagar a cessão pelos lugares dos sócios. O JC estimou ganho de cerca de R$ 50 milhões por ano; a Wikipédia fala em R$ 50 milhões a R$ 100 milhões. Segundo o BNLData, a Arena gerou cerca de R$ 50 milhões no 1º semestre de 2026.
- Estádio blindado. Por ser impenhorável e inalienável, a Arena não pode ser tomada por credores nem usada como garantia, mesmo com a dívida alta do clube.
- Decisões dentro de casa. Jogos, eventos e fornecedores passam pela administração do Grêmio. Marques citou como melhorias do período de transição a ampliação da arquibancada Norte, o gramado e a iluminação.
- Casa cheia. Em 03/09/2026, no 3 a 1 sobre o Inter pela Copa do Brasil, a Arena teve o maior público da sua história: 55.689 pessoas segundo o JC, ou 55.695, com 55.376 pagantes, segundo a Wikipédia. No Gre-Nal 455, no domingo (11/10), foram 53.528 pessoas, segundo a Futebol Interior.
- O que ainda não muda. Sem a troca de chaves, o clube não tem a propriedade definitiva, e o risco de 2034 segue no horizonte. Em julho, segundo o BNLData, o clube negociava o naming rights do estádio, possivelmente num pacote com o patrocínio máster; as fontes consultadas não registram acordo.
Quer saber mais sobre o estádio? Veja o guia da Arena do Grêmio, leia as 15 curiosidades sobre a Arena e confira os próximos jogos do Tricolor em casa.
Perguntas frequentes
O Grêmio é dono da Arena?
Ainda não de forma definitiva. O clube administra o estádio desde 1º/11/2025, mas a propriedade depende da troca de chaves com a Karagounis e a OAS 26.
Até quando o Grêmio pode administrar a Arena?
O direito de gestão vai até dezembro de 2033. Sem a troca de chaves, a gestão pode voltar às proprietárias a partir de 2034.
Quanto Marcelo Marques pagou pela gestão da Arena?
R$ 130 milhões, segundo o Jornal do Comércio e a Wikipédia: R$ 80 milhões pelos créditos da Revee e R$ 50 milhões à Arena Porto-Alegrense. Poder360 e SouGremio falam em R$ 145 milhões.
O que vai acontecer com o Estádio Olímpico?
Não há destino oficial. O estádio está desativado desde fevereiro de 2013, e a demolição, que cabe à empresa parceira, não começou.
Fontes e referências
- Jornal do Comércio — Após a compra da Arena, questões burocráticas serão resolvidas
- Wikipédia — Arena do Grêmio
- Poder360 — Grêmio administrará a Arena a partir de 1º de novembro
- Grêmio (site oficial) — Grêmio se torna credor da gestora da Arena
- Grêmio (site oficial) — Transferência da gestão da Arena é oficializada
- Grêmio (site oficial) — Conselho aprova novo contrato da Arena e alterações estatutárias
- Clic Camaquã — Grêmio inicia troca de chaves entre Olímpico e Arena
- Terra — Grêmio assume gestão da Arena e prevê entrega do Olímpico
- Grêmio — Relatório da Administração 2025 (PDF)
- Jornal do Comércio — Em 2026, Grêmio terá novo presidente e controle da Arena
- Jornal do Comércio — Troca de chaves deve ocorrer no 1º semestre de 2026
- Jornal do Comércio — Troca de chaves deve ter acordo selado na próxima semana
- Grêmio (site oficial) — Edital de convocação do Conselho Deliberativo
- Jornal do Comércio — Conselho do Grêmio se reunirá para tratar da troca de chaves
- A Tarde — Pendência pode fazer clube perder arena de R$ 469 milhões
- SouGremio — Arena do Grêmio em 2026 (com informações de Jocimar Farina)
- Lance! — O que aconteceu com o Olímpico do Grêmio
- Jornal do Comércio — Gre-Nal 454: Grêmio elimina o Inter da Copa do Brasil
- BNLData — Grêmio soma sete meses sem patrocínio máster
- Futebol Interior — Grêmio 1 x 1 Internacional
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